Pra começar, uma coisa deve ficar bem clara: se você chegou aqui por conta do Palhaço Tiririca, esqueça. Volte ao Google e seja feliz.
Mas se você quer saber da praga de gramados e hortaliças (“planta daninha perene, muito agressiva, altamente competitiva e alelopática*”, quem diria…), estamos alinhados. O assunto não tem nada que ver com o papo central desse blog, mas… quando precisei encontrar informação qualificada e organizada sobre o que fazer para dar um sumiço nas minhas tiriricas, dei com a cara na porta. Quando uma amiga também precisou, resolvi investir uns ATPs em uma busca; organizando a informação que encontrei, voilà, aqui vai ele: um primeiro post da categoria Vida Rural
Primeira coisa a saber: há métodos pra todos os gostos, ânimos, bolsos e contextos. Para quem pode limpar o terreno e/ou o tamanho da área é administrável(i.e., seu problema com tiriricas não é em 1000 mts/2 de um gramado formado) há uma série de técnicas naturebas, mais ou menos trabalhosas, que podem surtir efeito. Se o tamanho e o contexto não permitem essas soluções, há agroquímicos para resolver a questão – custa uma fortuna, mas os cabras juram de pés juntos que funciona. Vamos dar uma geral no assunto, meter a mão no agroquímico e depois todo o repertório natureba.
1) Do que é que estamos falando?
Primeiros passos – quem é essa senhora, a tiririca? Para apresentá-la, aqui vão:
Artiguinho curto, objetivo e equilibrado. Fala o essencial: o que é, e dá uma geral nos métodos de controle. De quebra, se você quiser aprender algo sobre algodoeiros, vá em frente e fuce:
http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Algodao/AlgodaoIrrigado/plantasdaninhas.htm
O último artigo desse post, o “Comunicado Técnico 197” (parece coisa da guerra fria), também tem uma introdução que vale a pena.
Esse artigo – que não encontrei em versão eletrônica – é muito bem referenciado, e seu título é sugestivo à beça:
PEREIRA, W. Prevenção e controle da tiririca em áreas cultivadas com hortaliças. Brasília: Embrapa Hortaliças, 1998a. 18 p. (Embrapa-CNPH. Circular Técnica, 15).
2) Depois, a síntese do pragmatismo internético – Yahoo Respostas:
Filtrando a sensacional quantidade de lixo, que parece aquela velha seção da revista MAD (“respostas idiotas para perguntas imbecis”), a gente acaba encontrando algo que preste. No caso específico, foi preciosa: deu a chave do nome comercial do produto que, dizem algumas línguas, mata a pau:
http://br.answers.yahoo.com/question/index;_ylt=AkQjdZiDLfbFuKxZLaFT3FLx6gt.;_ylv=3?qid=20090216093419AAFh9t5
Nessa direção, vejamos o que o poder do Império oferece aos tupinambás para combater suas pragas (e Império do Sol Nascente, causo’que a companhia é japonesa):
http://www.arystalifescience.com.br/globalsite/Default.aspx?tabid=86&produtoid=46
Pra comprar –
Cereja do bolo pragmático: gostei do sabor agente laranja, e quero comprar. Tenho abundantes fundos, meu marcapasso está com pilhas novas e meu plano de saúde contempla resgate em caso de siricotico. Vá em frente, mas não diga que não avisei.
Loja regularmente estabelecida, cartão de crédito e companhias (só um exemplo, o Google, Buscapé, BondFaro e congêneres existem é pra isso):
http://gramados.net/loja/index.php?cPath=36&osCsid=b1e0d22cdfc71c678cf1218e0bdf4ef8
Produto "la garantia soy jo"
http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-87441463-herbicida-para-tiririca-_JM
Pra finalizar a seção agro-mainstream, dois artigos irritantemente técnicos: esse primeiro é referenciado com alguma frequência, extremamente técnico e sucinto, coisa pra agrônomo: http://www.cnph.embrapa.br/public/folders/foltiri.html.
E esse segundo também é muito técnico, mas é mais inteligível que o anterior: http://www.cnph.embrapa.br/paginas/sistemas_producao/cultivo_da_cenoura/plantas_daninhas.htm. (Porém o que é que a gente faz pra comprar o tal Oxadiazon? Que produto comercial contém Oxadiazon? Oxadiazon dá pesadelo em criança? É um dos nomes da Besta? Mistérios…)
3) Técnicas Naturebas de controle da tiririca:
A seguir, uma série de artigos com orientações pra quem não deseja tascar agroquímico em suas plantas. O que eu digo é o seguinte: tirar na mão pode ser tarefa de muitas horas, dias a fio fazendo eliminação da tiririca – e ai de você se ficar um tuberculinho pra trás. Isso é como o velho lema dos escoteiros, SEMPRE ATENTO! Ou mantém a vigilância ou a limpeza vai por água abaixo.
Outra possibilidade é o controle via outras plantas – ladrão que rouba ladrão, manja? Quer por plantio conjunto, quer via extração de tintura e aplicação. Comecemos por esta última, que ainda é especulativa:
http://www.embrapa.br/imprensa/noticias/2008/setembro/5a-semana/pesquisa-avalia-potencial-de-planta-como-inseticida-e-herbicida-natural/
Note que o contato do pesquisador está lá no fim, e isso é precioso. O pessoal da EMBRAPA é, usualmente, prestativo, atencioso e competente, e não se furta a responder pra quem entra em contato. Aliás, você notou a quantidade de embrapa.br nos endereços desse post? Então, quando um senador caquético, um deputado cosa nostra ou um burocrata rotundo e auto-suficiente vierem mexer no orçamento de pesquisa agropecuária, Rhodiasol e Baygon nele.
Esse artigo aqui faz referência a uma leguminosa que inibe a tiririca. Espia na página 11:
http://www.cnph.embrapa.br/paginas/serie_documentos/publicacoes2006/cot_39.pdf
Um artigo natureba, simples e elegante. É para áreas nas quais você planta, colhe e replanta, não diz respeito à eliminação de tiririca dispersa em um gramado. A menos que você acabe com o gramado… Mas a técnica é interessante:
http://webnotes.sct.embrapa.br/pdf/pab2000/novembro/pab99_063.pdf
Mais sobre solarização (parece ser mesmo eficaz na redução de infestação): http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/recursos/Ghini_solarizacaoID-VArAMJxNVp.pdf
Este último (ohhhhh) é coisa fina e aplicável em casa, infelizmente também demanda terra limpa pra capinar e caçar tiriricas. E diz ser mais eficaz que a solarização – também, com o trabalho que dá…:
http://www.repdigital.cnptia.embrapa.br/bitstream/CNPA/16656/1/COMTEC197.PDF
É isso, né? Tá de bom tamanho. Métodos para todos os gostos e bolsos, pra não mencionar as costas e as mãos. Espero que essa compilação obscenamente longa seja útil para aumentar seu estado de felicidade com o jardim ou horta. E, caso você esteja procurando a referência do * que lá em cima se encontra, bingo!, aqui vai ela, elegantemente 2.0 – pena que nunca traz o autor do verbete. E eu vou parando por aqui: vou driblar alagamento em SP, que é um esporte verdadeiramente radical, sem redes, elástico ou mosquetão. Se bem que um snorkel ajudava…
———————— Complemento em 02/04/2009 —————————
Achei dois artigos muito simpáticos, um deles sobre tiriricas – variado, saboroso, cheio de boa informação – e outro sobre pulgões – mas saboroso idem, e a autora é uma delicadeza. Lá vão, pela ordem:
http://mungoverde.blogspot.com/2007/01/controle-alternativo-da-tiririca.html
http://denisol.wordpress.com/2008/07/28/pulgoes/
2 respostas Até agora ↓
denisol // 08/04/2009 às 12:25 |
Oh, obrigada pela referencia!
Li o seu artigo e fiquei com uma dúvida: no final das contas, voce conseguiu resolver o seu problema de tiririca no gramado? Que método voce utilizou? Nao, ainda nao tenho gramado (quanto mais com tiririca) mas informacao nunca e demais, né? Nunca se sabe o dia de amanha!
Marcos Benassi // 10/04/2009 às 09:41 |
Oi Denise!
Como meu gramado é muito grande, eu ia gastar uns dois mil reais de agroquímico, ou umas duas gerações de trabalho escravo. Optei por sossegar o coração e deixá-las por lá, mantendo tudo bem aparadinho, tirando com a mão aquelas que me causarem maior risco. Funcionou! 
Acabei de entender o que é um pingback, foi assim que você soube da referência, né? Bacana…
O MEU problema com as tiriricas eu resolvi, sim: terapia Junguiana
Mas tenho testemunhais de que o agroquímico japa é porreta, mata a tiririca e mostra a katana.